Protegendo a fertilidade e a puberdade saudável de seu filho

Por que é importante pensar neste momento na futura fertilidade de seu filho?

Quando a criança tem câncer, obviamente a primeira prioridade é realizar um tratamento para salvar a vida dela. Atualmente, muitas crianças sobrevivem ao câncer infantil.  Porém, a fertilidade futura - a capacidade de conceber uma criança ou manter uma gestação - pode ser prejudicada devido a alguns tipos de câncer ou de tratamentos para o câncer. Muitos pais desejam aumentar as chances de seus filhos de gerar os próprios filhos um dia. Geralmente, o melhor momento para isso é antes do início do tratamento contra o câncer. Pergunte ao médico de seu filho as opções de preservação da fertilidade assim que possível e logo após o diagnóstico de câncer da criança.

Como o tratamento contra o câncer afeta a fertilidade futura?

A quimioterapia pode danificar os óvulos e os espermatozoides, assim como as células nos ovários e nos testículos que produzem os hormônios sexuais. 

A radiação pode prejudicar a fertilidade quando o tratamento é direcionado para os ovários ou os testículos, para a região próxima à pelve ou à barriga ou para o corpo todo. Uma futura infertilidade também pode ser um resultado da radiação na região do cérebro e da glândula pituitária (uma glândula que produz hormônios na base do cérebro). O cérebro funciona com a glândula pituitária para iniciar o processo de puberdade. 

Nas meninas, um tratamento com alta dose de radiação na região pélvica pode causar danos ao útero, dificultando para que ela fique grávida e carregue um bebê.

Qual é a chance de infertilidade?

Nem todas as crianças apresentam problemas de infertilidade após o tratamento contra o câncer. O impacto que esse tratamento pode ter na fertilidade depende de muitos fatores. Entre eles:

  • Tipo e dose (quantidade) de quimioterapia
  • Dose e localização da terapia de radiação
  • Local da cirurgia
  • Nas garotas, o status de puberdade (a infertilidade pode ser menos provável quando o tratamento ocorre antes da puberdade)

Os medicamentos contra o câncer têm mais probabilidade de causar a infertilidade que outros. Assim são os tratamentos com muitos fármacos, que são comuns no tratamento dos cânceres infantis. Fazer a radioterapia mais a quimioterapia também aumenta o risco. Já que a chance de infertilidade varia muito, converse com os médicos de seu filho sobre os riscos.

Quais são as opções para preservação da fertilidade?

O médico de seu filho pode indicar um especialista em fertilidade para discutir sobre os tratamentos que preservam a fertilidade. As opções de tratamento dependem do fato de seu filho passar pela puberdade. As crianças que chegaram à puberdade têm mais opções para preservar a fertilidade. Muitas meninas iniciam a puberdade entre oito e 13 anos. Em muitos meninos, a produção de esperma inicia por volta dos 13 anos.

As opções para os meninos após a puberdade incluem:

  • Banco de sêmen. O congelamento (criopreservação) dos espermatozoides é a alternativa mais bem-sucedida para preservar a fertilidade antes do tratamento contra o câncer. A forma mais comum de coletar o sêmen (o fluido que transporta os espermatozoides) é por meio da masturbação. Os garotos que não conseguem ejacular (ejeção do sêmen do pênis) podem ter uma estimulação vibratória ou elétrica para ajudá-los a fazer isso. O semen permanecerá congelado ou "no banco" até quando for necessário. O congelamento - mesmo durante muitos anos - não prejudica os espermatozoides.
  • Extração de espermatozoides do  testiculo. Mesmo se o sêmen do garoto não contiver espermatozoides, ainda poderá ter espermatozoides nos testículos. Na extração do esperma testicular, um cirurgião retira pequenos pedaços do tecido testicular enquanto o menino está sedado ou sob anestesia local ou geral, Se o tecido contiver espermatozoides, o esperma será removido e congelado. Essa técnica pode ser uma opção antes ou após o tratamento com câncer.
  • Proteção dos testículos durante a radioterapia. Às vezes, é possível revestir os testículos para protegê-los contra a radiação durante o tratamento.
  • Congelamento do tecido testicular. Alguns médicos estão testando esse método experimental. Envolve na retirada e congelamento de pedaços pequenos do tecido testicular antes do tratamento contra o câncer. Esse tecido poderá ser reimplementado no futuro, mas, até o momento, nenhuma criança nasceu usando esse método.

As opções para as meninas após a puberdade incluem:

  • Proteção pélvica durante a radioterapia: Às vezes, é possível revestir um os dois ovários para protegê-los contra a radiação durante o tratamento.
  • Transposição ovariana. Antes do tratamento com radiação na região pélvica ou espinal, um cirurgião move um ovário saudável ou os dois para outro ponto no corpo da garota que fique do campo de tratamento.
  • Banco de óvulos. Esse método experimental envolve o congelamento e o armazenamento de óvulos não fertilizados. Normalmente exige o uso de medicamentos para fertilidade e o monitoramento com ultrassonografias e coleta sanguínea durante aproximadamente duas semanas. Isso poderia retardar o início do tratamento contra o câncer e pode não ser uma opção para algumas meninas. O banco de embriões (óvulos fertilizados) será uma opção se a garota desejar usar o esperma de um parceiro ou de um doador para fertilizar os óvulos. Entretanto, esse não é um tratamento comum para as adolescentes. Também exige quase duas semanas de uso de medicamentos para fertilidade.
  • Banco de tecido ovariano. Esse método experimental envolve a retirada de pequenos pedaços de um ovário e o armazenamento do tecido congelado. Um cirurgião também pode conseguir reimplantar o tecido após o tratamento contra o câncer. Essa pode não ser uma opção segura para meninas com leucemia, pois poderiam haver células cancerosas no tecido. O tecido também pode ser usado para amadurecer os folículos e os óvulos não maduros e fertilizar os óvulos fora do corpo, porém nenhuma criança ainda nasceu com o uso dessa técnica.

Antes da puberdade, as crianças têm muito poucas opções, pois ainda não produzem espermatozoides ou óvulos maduros. Suas únicas opções para preservar a fertilidade são a proteção durante a radioterapia, o congelamento tecidual dos órgãos reprodutores (ovários ou testículos) ou transposição ovariana para garotas.

Como o tratamento contra o câncer em crianças pequenas afeta a puberdade?

Devido ao tratamento contra o câncer, as crianças podem estar correr o risco de ter uma puberdade precoce ou tardia.

A puberdade inicial ou “precoce” é qualquer sinal físico de maturidade sexual antes dos nove anos de idade nos meninos e dos oito anos de idade nas meninas. Isso poderá ocorrer após uma radiação no cérebro. A radiação pode causar a liberação precoce dos hormônios provenientes do cérebro que sinalizam o início da puberdade para o corpo. 

A puberdade é tardia quando não inicia até os 14 anos nos meninos ou 13 anos nas meninas. Isso também pode ocorrer devido a uma radiação no cérebro ou se o tratamento causar danos aos testículos ou aos ovários de modo que eles não possam produzir hormônios sexuais.

Estar além ou atrás de seus pares na maturidade sexual pode fazer com que algumas crianças tenham problemas de ajuste emocional ou social.

Quais são os tratamentos para a puberdade precoce ou tardia?

Para tratar a puberdade precoce, os medicamentos podem interromper a liberação dos hormônios sexuais. Muito frequentemente, o tratamento é interrompido quando a criança atinge a idade normal da puberdade.

As crianças com puberdade tardia podem receber um tratamento com estrógeno (meninas) ou testosterona (meninos) para ajudar a apresentar os sinais normais da puberdade.

O que você deve fazer com estas informações?

Os médicos de seu filho podem não abordar o tópico de preservação da fertilidade ou como o tratamento contra o câncer pode afetar a puberdade. Você deverá levantar a questão caso esteja preocupado. Eis algumas perguntas que devem ser feitas ao médico:                               

  • Quão rapidamente meu filho deve iniciar o tratamento contra o câncer?
  • O câncer ou o tratamento afetará a futura fertilidade do meu filho?
  • Quais são as opções que meu filho tem para preservar a fertilidade?
  • Quais são as taxas de sucesso de cada opção?
  • Meu convênio cobrirá o custo desses procedimentos?
  • Meu filho corre o risco de ter uma puberdade precoce ou tardia?

Recursos

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Consórcio de oncofertilidade ou ligue para
1-866-708-FERT (1-866-3378)

Esperança fértil

American Society for Reproductive Medicine (Sociedade Americana para Medicina Reprodutiva)

Saúde das crianças

 


Editores

 

Jill Ginsberg, MD; Dorothy Shulman, MD

 

The Hormone Foundation®, a subsidiária de educação pública da The Endocrine Society®, funciona como um recurso para o público ao promover a prevenção, o tratamento e a cura de condições relacionadas aos hormônios por meio da participação e da educação.

 

The Oncofertility Consortium® é uma iniciativa nacional e interdisciplinar criado para explorar o futuro reprodutivo dos sobreviventes ao câncer.

 

O desenvolvimento dessas informações foi apoiado por concessões educacionais da Merck e EMD Serono.

 

© 2011 The Hormone Foundation® e The Oncofertility Consortium®