Preservação da fertilidade e controle dos sintomas hormonais

Por que é importante pensar na fertilidade quando você tem câncer?

A fertilidade de um homem - a capacidade de engravidar uma mulher - pode ser prejudicada por alguns tipos de tratamento contra o câncer. Mesmo antes do tratamento, alguns cânceres, como o câncer testicular e o linfoma de Hodgkin, podem reduzir as contages de espermatozoides. Muitos homens que enfrentam o câncer desejam ter filhos no futuro. Alguns homens podem não saber que eles têm opções para proteger a fertilidade. O melhor momento para isso é antes do início do tratamento contra o câncer.

Pergunte a seu médico sobre as opções de preservação da fertilidade assim que possível e logo após o diagnóstico de câncer. Às vezes, os médicos podem escolher um plano de tratamento que prejudique menos sua fertilidade.

Como o tratamento contra o câncer afeta a fertilidade?

A quimioterapia, a radioterapia e algumas cirurgias podem causar problemas de fertilidade. A infertilidade pode ocorrer de imediato ou em alguns meses. Pode durar meses ou anos ou ainda ser permanente.

A quimioterapia pode diminuir ou interromper a produção de espermatozoides, afetando sua capacidade de ser pai de uma criança. Além disso, a terapia hormonal para câncer de próstata quase sempre causa danos à produção de espermatozoides.

A radioterapia pode diminuir a produção de espermatozoides quando o tratamento foca o corpo todo, os testículos ou certas áreas. Esses locais incluem a região pélvica (próximo aos testículos), a glândula pituitária (uma pequena glândula que produz hormônios na base do cérebro) e o cérebro. O cérebro trabalha com a glândula pituitária para sinalizar aos testículos a produção de espermatozoides e testosterona, o principal hormônio sexual masculino.

A cirurgia que remove os dois testículos interrompe permanentemente a produção de espermatozoides. A remoção de apenas um testículo para tratar o câncer testicular pode diminuir a quantidade de espermatozoides produzida pelo corpo. Apesar disso, homens com câncer testicular ainda podem ter filhos, a menos que o testículo restante não produza espermatozoides.

A cirurgia da próstata, bexiga, intestino grosso, espinha ou reto pode danificar os nervos e tornar um homem incapaz de ejacular - ejetar o sêmen (o fluido que carrega os espermatozoides) do pênis. Às vezes, esse tipo de operação faz com que o sêmen retroceda para a bexiga. Chamada de ejaculação retrógrada, esse problema significa que pouco ou nenhum esperma sai do pênis.

Qual é a chance de infertilidade?

Nem todos os homens apresentam problemas de infertilidade após o tratamento contra o câncer. O impacto que esse tratamento pode ter na fertilidade depende de muitos fatores. Entre eles:

  • Tipo e dose (quantidade) de quimioterapia
  • Dose e localização da terapia de radiação
  • Local da cirurgia
  • Idade (o risco de infertilidade aumenta com a idade)
  • Status de fertilidade antes do tratamento

Os medicamentos contra o câncer têm mais probabilidade de causar a infertilidade que outros. Se você planeja fazer quimioterapia, pergunte ao médico (oncologista) sobre os medicamentos que têm menos probabilidade de prejudicar a fertilidade.

Quais são as opções para preservação da fertilidade?

O médico poderá indicar um colega especializado no tratamento de problemas de fertilidade masculina. Este poderá ser um urologista ou um endocrinologista.

Os tratamentos que preservam a fertilidade incluem:

  • Banco de sêmen. O congelamento (criopreservação) dos espermatozoides é a alternativa mais bem-sucedida para preservar a fertilidade masculina antes do tratamento contra o câncer. A forma mais comum de coletar a amostra de sêmen é por meio da masturbação. Os homens que não conseguem ejacular podem ter uma estimulação vibratória ou elétrica para ajudá-los a fazer isso. O esperma permanecerá congelado ou "no banco" até que precise dele. O congelamento - mesmo durante muitos anos - não prejudica os espermatozoides.
  • Extração de espermatozoides do testiculo. Mesmo se o sêmen do homem não contiver espermatozoides, ainda poderá ter espermatozoides nos testículos. Na extração do esperma testicular, um cirurgião retira pequenos pedaços do tecido testicular (biópsia) enquanto o paciente está sedado ou sob anestesia local ou geral, Se o tecido contiver espermatozoides, o sêmen será congelado ou usado para fertilizar os óvulos da parceira. Essa técnica pode ser uma opção antes ou após o tratamento com câncer.
  • Proteção dos testículos durante a radioterapia. Às vezes, é possível revestir os testículos para protegê-los contra a radiação durante o tratamento.

Quais são as taxas de sucesso e custos da preservação da fertilidade?

Muitos homens que passaram por um tratamento contra o câncer têm filhos. As taxas de sucesso de fertilidade variam de acordo com o tratamento. A chance de gestação usando o esperma do banco aumenta com números mais altos e qualidade do esperma. Atualmente, os tratamentos avançados de fertilidade podem permitir a gravidez com apenas um espermatozoide.

A preservação da fertilidade pode custar caro. Além dos custos do procedimento, poderá haver uma taxa anual para o armazenamento do esperma congelado. Os convênios nem sempre cobrem o custo de certos tratamentos de fertilidade. Algumas organizações disponibilizam uma ajuda financeira (consulte Recursos abaixo).

Quanto tempo você deve esperar após o tratamento contra o câncer para tentar ter um filho?

Se você fez quimioterapia ou radioterapia, o médico pode sugerir que você espere de um a dois anos após o fim do tratamento antes de tentar iniciar uma família. Frequentemente, pode demorar esse tempo para que a produção de espermatozoides saudáveis inicie novamente. Até então, use camisinha ou outra forma de controle de natalidade mesmo se achar que é estéril.

Quais são as opções se você for estéril?

Se a fertilidade não retornar após o tratamento contra o câncer, há outras formas de constituir uma família. Essas incluem o uso de esperma de um doador e a adoção. Algumas agências de adoção podem ter restrições em relação aos sobreviventes do câncer, mas outras não.

É comum sentir raiva ou uma sensação de perda por não ser capaz de ter um filho. Talvez você ache útil conversar com um orientador ou participar de um grupo de apoio à infertilidade (consulte Recursos abaixo).

Quais são os efeitos do tratamento contra o câncer nos hormônios masculinos?

O tratamento contra o câncer pode diminuir ou interromper a produção de testosterona. Um nível de testosterona menor que o normal é chamado de hipogonadismo ou deficiência andrógena. A remoção dos testículos, radiação ou quimioterapia podem diminuir a produção de testosterona. Isso também ocorre na terapia de privação androgênica (terapia hormonal) para câncer de próstata.

Alguns sintomas de pouca testosterona são:

  • Baixa libido sexual
  • Ereções breves
  • Baixa contagem de espermatozoides
  • Pouca energia
  • Mamas moles e aumentadas
  • Calor súbito

Quais são os efeitos de longo prazo à saúde decorrentes do baixo nível de testosterona?

Com o tempo, o baixo nível de testosterona pode causar problemas à saúde. Estes incluem:

  • Perda de massa muscular (tamanho) e força
  • Osteoporose - afinamento dos ossos, tornando mais propensos à quebra
  • Mudanças de humor e depressão
  • Aumento da gordura corporal

Quais são as opções para tratar os sintomas do baixo nível de testosterona?

A terapia de reposição de testosterona pode aumentar o desejo sexual e as ereções, assim como o humor, a energia, a densidade óssea e o tamanho muscular. Os homens não deverão tomar testosterona se tiverem câncer de próstata ou de mama. Além disso, não utilize esse tratamento se você e sua parceira estiverem tentando engravidar, pois ele diminui a produção de espermatozoides.

Outro tipo de terapia hormonal é a gonadotropina coriônica humana (hCG). Esse tratamento de fertilidade é uma opção para homens que desejam ter um filho, mas apresentam baixas contagens de espermatozoides e testosterona devido a um problema com a glândula pituitária ou o cérebro. Esse problema pode ocorrer com a radioterapia ou um tumor na glândula pituitária ou no cérebro.

Para homens que não podem tomar testosterona, outros tratamentos estão disponíveis para depressão e osteoporose.  Seu médico pode ajudá-lo a encontrar um tratamento que seja adequado para você.

O que você deve fazer com estas informações?

Seu médico pode não abordar o tópico da preservação da fertilidade ou do baixo nível de testosterona. Você deverá levantar a questão caso esteja preocupado. Eis algumas perguntas que devem ser feitas ao médico:

  • Quão rapidamente devo iniciar o tratamento contra o câncer?
  • Meu câncer ou o tratamento afetará minha futura fertilidade?
  • O que posso fazer agora caso queira ter filhos no futuro?
  • Qualquer uma dessas opções de tratamento pode tornar meu tratamento contra o câncer menos eficaz ou aumenta a chance de uma recorrência?
  • Poderei manter o esperma em um banco caso já tenha iniciado o tratamento contra o câncer?
  • Meu tratamento contra o câncer diminuirá o nível de testosterona? Se sim, o que posso fazer em relação a isso?

Recursos

Preservar minha fertilidade

Encontre um endocrinologista

Saúde dos homens (informações)

Consórcio de oncofertilidade ou ligue para
1-866-708-FERT (1-866-3378)

Esperança fértil

American Society for Reproductive Medicine (Sociedade Americana para Medicina Reprodutiva)

Programa de compartilhamento da esperança

American Society of Clinical Oncology (Sociedade Americana de Oncologia Clínica) (Informações sobre o câncer)

 


Editores

 

 

Robert Brannigan, MD; Alvin M. Matsumoto, MD

 

The Hormone Foundation®, a subsidiária de educação pública da The Endocrine Society®, funciona como um recurso para o público ao promover a prevenção, o tratamento e a cura de condições relacionadas aos hormônios por meio da participação e da educação.

 

The Oncofertility Consortium® é uma iniciativa nacional e interdisciplinar criado para explorar o futuro reprodutivo dos sobreviventes ao câncer.

 

O desenvolvimento dessas informações foi apoiado por concessões educacionais da Merck e EMD Serono.

 

© 2011 The Hormone Foundation® e The Oncofertility Consortium®